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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

12º Aniversário sem Glúten- Foram os 18!

  Nasci a 25 de setembro de 1997. Sei que sou celíaca desde fevereiro 2004 (tinha 6 anos). Não foi fácil para mim o facto de ser diferente dos outros, o facto de não poder comer o mesmo que os outros. Só me comecei a aceitar em 2011 quando participei no "1º Acampamento Nacional de Celíacos". Foi nesta altura que houve uma grande viragem na minha vida. Foi aqui que me comecei a transformar na pessoa que sou hoje. Fiz este ano (2015) os meus 18 anos.

  O maior problema de um aniversário (seja de quem fôr) é arranjar um local simpático, com boa comida e amigo da carteira. Como seria de esperar esta situação piora ligeiramente quando estamos a falar de um aniversário de um celíaco pois as hipóteses como pizzas, hamburgueres ou qualquer outro tipo de fast-food "gourmet" ficam logo fora do baralho por motivos óbvios. Também há a questão de, como é o nosso dia especial, não termos grande vontade de fazer um daqueles pedidos de 15 minutos só para saber quais são os ingredienntes de cada prato e se há ou não contaminação cruzada na cozinha. Parecendo que não, estes factores já excluem várias alternativas. Mas, como nada é impossível,  lá conseguímos arranjar uma solução para o almoço e para o jantar.

  O almoço foi no Chimarrão ao lado do "Pavilhão do Conhecimento" na Expo. A presença de pão ralado no arroz de pato fez com que a minha refeição se basea-se em batatas fritas, picanha e alcatra. Não porque não podia comer mais nada, mas sim porque o resto não me interessava.
 
  Para o jantar foi escolhido um japonês em telheiras que tem carnes à escolha do cliente para serem cozinhadas no momento, sushi e vários pratos típicos asiáticos podendo assim "agradar a gregos e a troianos". O meu jantar foi o famoso "arroz chau-chau" e muita carne e camarão.

  Não podia esquecer o papel fundamental que  a Choco&Mousse teve. Foi a responsável pelos bolos de aniversário e pelo pequeno almoço do dia seguinte - panquecas sem glúten!



  Este ano não celebrei apenas os meus 18 anos de idade. Marquei 12 anos a fazer uma deita sem glúten. 12 anos de aventuras, de novas experiências, de lágrimas mas principalmente de muitos sorrisos (cada vez mais!). Espero que a cada ano que passe, mais alternativas tenha e que uma vida sem glúten seja cada vez mais fácil.


sexta-feira, 18 de setembro de 2015

"Um McMenu por favor!"

A McDonald's é a maior cadeia de restauração mundial. Existem cerca de 33 500 restaurantes espalhados em 119 países. Trata-se de uma cadeia de fast-food mas devido a novas leis começaram a ser servidas sopas e saladas. Os seus fundadores foram os irmãos Dick e Maurice McDonald e o primeiro restaurante abriu a 15 de maio de 1940 em San Bernardino, Califórnia

Bom, agora que já tive o meu momento de cultura geral vou passar para o que realmente importa: COMIDA! Ao fim de 12 anos pude finalmente ir ao McDonald's comer um hambúrguer. Até agora a única coisa que me era permitida fazer era pedir o famoso "hambúrguer natura sem pão" e depois ser alvo de olhares bastante duvidosos por parte de quem me estava a atender. Era um pedido tal forma estranho ( e talvez "descabido" na cabeça das outras pessoas) que os meus amigos já o sabiam de cor e salteado. Com um pedido tão normal como este escusado será dizer que eram frequentes as vezes em que tinha que mandar a comida para trás e pedir outro porque os funcionários não entendiam o significados de "SEM PÃO". Mas felizmente essa época já acabou. Agora em alguns restaurantes já há a hipótese de pedir pão sem glúten em alguns dos menus. Senti-me (mais uma vez) feliz como nunca. Pela primeira vez tive a hipótese de comer com as mãos fora de casa (das outras vezes pedia uns talheres para comer as carnes). 

Quando finalmente me sentei para comer fiz uma pergunta maravilhosa à minha família: "Como se come isto?". Eu não fazia ideia como se comida o raio de um hambúrguer! Algo tão simples, tão comum, tão ignorante que eu não sabia como fazer. Ainda hoje, depois de já lá ter ido umas 20 vezes, vejo-me num caso sério em tentar comer sem me sujar, sem espalhar alface pelo meu tabuleiro, pela mesa, pelo banco  pelo chão. Tenho uma amiga que me conheceu na altura em que me diagnosticaram a doença celíaca, viu-me pela primeira vez a comer pão sem ter que pagar mais por isso. 


Cada vez é mais fácil sentir-me incluída na sociedade, sentir que posso ir a qualquer lado sem ter problemas. Cada vez se torna tudo mais simples, mais básico, mais conhecido. Um dia pedir algo sem glúten será algo tão vulgar como pedir um copo de água. Um dia chegaremos lá!

sábado, 12 de setembro de 2015

Portugal não está nada mal!

Portugal é o pais mais a oeste da europa, pertence à Península Ibérica e foi um dos maiores descobridores do mundo na época dos descobrimentos. Um país conhecido pelas paisagens, praias e gastronomia com mais de 10 milhões de habitantes.

Apesar do blog ser sobre as minhas descobertas gastronómicas, isentas de glúten, pelo mundo vou também escrever sobre o que aparece no meu país. Apesar de em Portugal não haver um conhecimento tão abrangente desta área, já começam a aparecer alguns locais preparados para nós.

Este ano abriu uma pastelaria com bolos, bolachas e pão sem glúten na capital portuguesa. Têm uma grande variedade de sabores permitindo-nos ter uma "margem de manobra" em relação à escolha. Foi a primeira vez que comi um bolo em que era necessário usar talheres porque normalmente os bolos sem glúten são bastante espessos como qualquer celíaco sabe. Esta foi mais uma das experiências que mais me marcou enquanto celíaca. Marcou de tal forma que este se tornou num dos cafés que mais frequento (porque será?). Parece que as próprias funcionárias já me conhecem. Para além dos maravilhosos lanches e pequenos almoços que lá podemos tomar, também somos alvo de uma imensa simpatia por parte de quem lá trabalha. Pessoas dedicadas e que têm o cuidado de não juntar os alimentos isentos de glúten com os normais. Uma outra característica que também me chamou à atenção foi o facto de as fatias de bolo aptas para celíacos estarem envoltas num plástico, de forma a diminuir qualquer probabilidade de contaminação cruzada. A Choco&Mousse tornou-se mais um local de confiança!



No entanto Lisboa não é a única cidade onde pude sair à rua sem problemas. Neste verão fui comer uma pizza a uma pizzaria gourmet em Albufeira-Algarve. Ao fim de dois anos a pensar em lá ir pude finalmente concretizar esta vontade. Mais uma vez a simpatia portuguesa prevaleceu tornando este jantar num momento a recordar. A sensação de comer uma pizza acabadinha de fazer, com a massa a estalar e o queijo derretido a esticar quando tiramos a primeira fatia do prato não irá ser esquecida. Tão bom! O Sr. Frog's Pateo passou a ser uma paragem obrigatória numa viagem ao sul do país.



Apesar de até agora ainda não termos tantas coisas como os nosso vizinhos europeus, começamos a ter, pouco a pouco, novas alternativas que nos permitirão sentir o mesmo que as pessoas "normais" sentem. Aos poucos e poucos vamos lá chegar!

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Irlanda!

 Este país situa-se a norte da Europa do lado esquerdo de Inglaterra. A sua capital é Dublin e tem cerca de 4,595 milhões de habitantes. 

A minha mãe sempre sonhou em ir visitar este país portanto em novembro de 2014 fomos todos fazer esta pequena viagem. Inicialmente não estava  muito ansiosa mas mudei de opinião assim que me apercebi da quantidade de locais que havia aptos para celíacos. Ao contrário de Portugal, eram poucos os cafés, restaurantes e supermercados que não estavam preparados para receber alguém intolerante.

Pelo sim pelo não a minha mãe já tinha feito uma pesquisa de estabelecimentos para irmos de forma a eu ter uma refeição segura mas não foi necessária. Em 4 dias a andar de cidade em cidade, de vila em vila, foram no maximo 2 restaurantes que não tinham algo que eu pudesse comer. 

Pela primeira vez em 11 anos fui a uma pastelaria (100% sem glúten!), tomei o pequeno almoço um café sem aviso prévio, comi uma pizza sem encomedar 2 horas antes e principalmente não fui olhada como "estranha", como uma pessoa "com a mania das dietas" ou até como "comichosa". 

Vieram-me as lágrimas aos olhos sempre que entrei num espaço e perguntei se tinham pão/massas/pizzas sem glúten e os funcionários me respoderam que sim enquanto faziam uma cara do tipo "Porque raio não haveria de ter comida sem glúten?".

Mas vamos ter calma porque eu quero-vos explicar tudo tim-tim por tim-tim.

Na primeira noite eu e o meu padrasto entrámos num restaurante para perguntar que tipo de refeições tinham para sabermos se eu podia comer lá (coisa que qualquer celíaco português está minimamente habituado a fazer). Qual não é o meu espanto quando o menu está sinalizado com uma espiga cortada em vários pratos mostrando assim que aquelas seriam refeições isentas de glúten. Foi aqui que o meu sorriso de orelha a orelha se formou e não voltou a desaparecer.

Na manhã do segundo dia fomos a uma pastelaria que a minha mãe tinha pesquisado em Portugal chamada Antoinettes Bakery situada em Dublin. Ao entrar reparei que a porta estava simbolizada com avisos de "Glúten Free" ("Sem glúten"). Assim que pergunto à funcionária quais eram os bolos que eu podia consumir sendo eu celíaca ela responde o que sempre sonhei ouvir: "Podes comer tudo". Foi neste momento que me começo a aperceber do que está realmente à minha frente: um balcão cheio de bolos e bolinhos com o melhor aspeto do mundo que EU podia comer. 
Equanto comia comecei a reparar na decoração do café: As paredes, os quadros, as escritas, os sacos, tudo tinha piadas que apenas celíacos podiam perceber. Ali era o meu cantinho. Ali eu senti-me livre, senti-me feliz. Naqueles poucos minutos vivi o que sempre quis viver.

Na manhã do terceiro dia andámos todos meio perdidos à procura de um café que a minha também tinha pesquisado. Andámos para aqui, andámos para ali, para acolá e para além até que percebemos que o café estava fechado e só abria 1 hora depois. Decidi então entrar num café ao lado e perguntar se tinham pão sem glúten e o senhor olha-me com um ar muito desconfiado e diz "Of course we have" ("Claro que temos"). Penso que não seja necessário explicar como reagi! Feliz e contente, com o sorriso já a sair da cara comi uma tosta com atum e milho num simples café numa simples rua como se fosse um simples dia de escola. Na manhã seguinte a cena repetiu-se noutra cidade.

Na nossa última noite apercebemo-nos que não tínhamos conseguido ir a uma pizzaria apta para mim. Apesar de estar triste percebi que não havia tempo para tudo. Decidimos ir a um supermercado ao lado do hotel. Estacionámos o carro e assim que olho para o lado vejo uma pizzaria. A minha mãe insistiu para eu entrar e perguntar se tinha pizzas sem glúten. Eu lá o fiz. Assim que o faço a sehora diz-me que TODAS AS PIZZAS DO MENU podiam ser feitas numa massa sem glúten, que não havia contaminação e que demorava apenas 15 minutos. YES! Consegui! COMI UMA PIAZZA! Foi sem dúvida a melhor maneira de acabar esta minha pequena grande aventura!

Foi uma viagem que adorei, não só pela comida como também pela sua beleza do país e pela simpatia dos habitantes. É um ambiente muito diferente daquele a que estou habituada a viver em Lisboa. Sem dúvida que é para repetir!

Imagens:
1º Pequeno-alomoço
Lanche




Antoinette's Bakery

Almoço (esparguete)

Menu da pizzaria
Comprado num café local