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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Praxe Sem Glúten, é possível?

   Ao fim de dois anos voltei a ter vontade de partilhar as minhas peripécias enquanto jovem celíaca.
   Alterei ligeiramente o propósito do blogue, passando a focar-me mais na generalidade das coisas que vão acontecendo na minha vida (tanto pessoal, familiar e académica) em vez de, como era antes, destacar as vantagens de viajar para outros países, sendo intolerante ao glúten.
   A principal alteração que houve na minha vida, nestes dois últimos anos, foi sem margem de dúvida a minha entrada para a faculdade. Como era de esperar, houve uma grande mudança tanto na rotina como no ambiente em meu redor. No entanto, apesar do nervosismo normal que seria de esperar nas semanas antes de me tornar universitária, era a PRAXE que me deixava mais receosa. Não tanto pelo que era divulgado pela comunicação social (felizmente nunca me deixei afetar por tal) mas sim por saber que havia uma grande probabilidade de estar envolvida farinha.
   Não foi esta possibilidade que me fez não arriscar, porque de facto era algo que eu queria vivenciar para poder ter a minha própria opinião, avisando sempre qual era a minha situação. Resultado? Nunca me senti tão respeitada como me senti (e continuo a sentir) ali. Já passou um ano e eu continuo a viver cada momento ao máximo.
   Sempre que os jogos envolviam farinha, bolachas ou papas em pó, os Pastranos, Doutores e Veteranos arranjavam soluções para mim pondo-me em posições em que não era necessário entrar em contacto com estes alimentos, trocavam-nos por água, ou diziam para ser a primeira a jogar para depois, com os meus colegas, poderiam usar os mesmos.
   Nas atividades em que os vários cursos se juntavam, eram muitas vezes os meus colegas que me ajudavam a expor a minha condição, chegando até a serem os primeiros a dar o passo em frente e dizer "Olhem que ela assim não pode jogar".
   Ao fim de um ano a ser praxada, com jantares de curso, actividades e jantares em conjunto com mais cursos e jogos com farinhas, posso dizer que foi das melhores decisões que tomei. Hoje visto o traje com todo o orgulho possível e não vivi nem vivo menos que os restantes por não poder participar numa ou outra situação da mesma forma.
   Nada tem que ser impeditivo de fazermos o que queremos fazer porque somos ou deixamos de ser de alguma forma. A praxe é sem dúvida uma fonte de união e não importa a forma como é vivida mas sim vivê-la independentemente de qualquer outra coisa.

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